Alunos fazem protesto contra as péssimas condições da água servida pela CORSAN

Há muito tempo o problema da água servida pela Cagepa aos habitantes da cidade de Riacho dos Cavalos está se agravando. Com a seca que vem castigando a região nordeste, nos últimos três anos, e que agravou ainda mais o nível dos reservatórios que abastecem as cidades sertanejas, levou os açudes a níveis baixíssimos, deixando a água que ainda resta praticamente imprópria para o consumo.

Este é o dilema vivido pelos moradores de Riacho dos Cavalos, cidade que está localizada na região polarizada por Catolé do Rocha, e que comporta uma população estimada em 8.314 mil habitantes (Censo do IBGE 2010).

Revoltados e indignados com a péssima qualidade da água que ainda chega às torneiras, os estudantes e funcionários da Escola Estadual Daniel Carneiro, estão organizando para o final da tarde deste sábado (12), um ato de protesto e manifestação contra o descaso dos governantes para com o problema.

O ato público está marcado par às 17h00, numa concentração em frente ao Ginásio Napuzão, na Rua Nova, e em ato contínuo, os manifestantes seguirão em passeata até a frente da Cagepa, na Rua do Estado.

O abandono do Açude José Américo de Almeida

O Açude Público José Américo de Almeida, construído em 1932 e inaugurado em julho de 1933, com capacidade de 17.600 milhões de m3, completou 80 anos de existência, sem nunca ter sido feito um trabalho de desassoreamento ou revitalização de sua parede. Para muitos, o açude não mais armazena o volume oficial, devido ao assoreamento a que vem ocorrendo há décadas, em decorrência do banco de areia trazido pelos riachos Santana e Boa Vista, que são anualmente empurrados para o leito do reservatório.

A Inspetoria de Obras contra as Secas, órgão criado em 1909, e que depois passou a ser denominado de DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas foi o responsável pela construção e manutenção do reservatório, mas que nos últimos anos, deu uma de Pilatos, e lavou as mãos com o bem mais valioso do município.

A responsabilidade pela administração do Açude Público José Américo de Almeida, foi então designada aos cuidados do Governo do Estado, que por sua vez, ignorou totalmente a existência do reservatório, e deixou o valioso patrimônio ao total abandono.

As últimas administrações do município, somando-se ao trabalho e a dedicação de alguns fiéis voluntários, até que realizaram algumas benfeitorias, que serviram com alento ao descaso que se encontra o açude.

A CAGEPA – Companhia de Água e Esgotos da Paraíba, empresa estatal que retira a água e vende a população, nunca se preocupou em colocar uma pá de terra na parede do reservatório, e nem tampouco realizar qualquer obra que fosse, para amenizar a agonia do velho açude, com intuito de melhorar a qualidade do bem mais precioso, a água que é servida a população.

Em meio ao descaso e abandono, e com as constantes reclamações da população, os meios de comunicação até que deram ênfase ao assunto, o que de certa forma, mobilizou o Governo do Estado, para atentar ao problema.

Foi enviada a Riacho dos Cavalos equipes composta com engenheiros e técnicos, ligados diretamente a Secretaria de Estado da Infraestrutura, com o objetivo de fazer um levantamento detalhado para serem encaminhadas as instâncias superiores, na busca de recursos para as obras de dragagem, limpeza e recuperação da parede de esbarramento da água (baldo).

Segundo consta nos anais, a verba para as obras do Açude Público de Riacho dos Cavalos, assim como a ordem de serviço para a construção de uma nova estação de tratamento da Cagepa, foram anunciadas, mas até agora o velho e combalido açude, principal patrimônio do povo riachoense, clama por socorro.

O povo já não agüenta mais tantas promessas dos políticos, e cobram as devidas ações em caráter emergenciais para a solução dos problemas.

Enquanto isso, a água que restou no reservatório está em péssimas condições, com cor marrom ou esverdeada, e exalando um mau cheiro insuportável, que nem mesmo os produtos químicos adicionados, melhoram a qualidade do precioso líquido.