Entrevista com Gary Baseman e Shag

Ontem (28/01/2010) foi a abertura da exposição dupla dos artistas norte-americanos Josh Agler aka Shag e Gary Baseman na Galeria Choque Cultural, na Vila Madalena em São Paulo. Após uma manhã de passeio pelo bairro do Jardins, com direito a almoço no Prêt-a-Manger, os gringos falaram um pouco sobre a sua relação com a moda para a nova redatora do site Oi Moda, Tainá Barrionuevo.

Tainá – Muitos dos seus personagens aparecem vestidos em suas pinturas. Como você aplica a moda no seu trabalho? Você faz algum tipo de pesquisa ou apenas pinta as roupas da maneira como você lembra?

Shag – Nossa, eu adoro moda! No início do meu trabalho utilizava como referência a moda das décadas de 1950 e 1960 junto com a estética das festas Tiki (festas com coquetéis ao estilo polinésio muito populares nos Estados Unidos). Pesquiso em livros e revistas sobre as roupas de Christian Dior, Givenchi (minhas marcas preferidas!), Pierre Cardin, Rudi Gernreich e outros estilistas da “Space Age” (a moda com estética espacial no período da Guerra Fria, principalmente entre as décadas de 1940 e 1960). Nesta minha nova série “An Exquisite Hunger”, eu criei um universo atemporal e surreal. Pesquisei as vestimentas medievais, romanas, uniformes de escola tradicionais e smokings, dando um ar mais moderno para a minha arte.

Minha mãe e minhas irmãs (Shag tem 4 irmãs e 6 irmãos) nunca foram ligadas a moda, então acho que agora estou preenchendo este vazio com a minha filha de 11 anos que está começando a se interessar por roupas, principalmente Ed Hardy, e minhas personagens nos quadros! (risos)

Gary – Para falar a verdade nunca parei para pensar nas roupas das minhas personagens. Quando eu pinto um quadro, meu foco é sempre na temática de desejo, luxúria e fantasia. Por isso minhas personagens ou estão com um vestido tradicional ou estão nuas.

T- Você já trabalhou com moda antes ou colaborou com alguma marca? Você tem planos para fazer isso futuramente?

S – Em 2008 fiz algumas estampas para a Toes on the Nose (marca de surf californiana) e em 2000 trabalhei com o designer Paul Frank em uma série de bolsas e carteiras exclusivas para o mercado japonês. Gostaria muito de lançar a minha própria marca de roupas, pois tenho muito material para isso. Preciso me planejar!

G- Tenho dois projetos de moda em andamento. Na minha última exposição na Tailândia, fui convidado pela marca de street e surfwear NSHA para criar estampas para uma série de bikinis exclusivos. Em Israel também fui convidado pela marca Fru Blau para criar uma série de vestidos-arte com a minha arte estampada.

Há pouco tempo lancei uma série de abotoaduras de camisas pela marca Hobbs & Kent com a temática pós-mortem: Céu, Inferno, Purgatório e Limbo, com edição limitada de 98 pares cada. Pela Harvey Seatbelt Bags lancei uma linha de bolsas numeradas com meus personagens estampados em suas tradicionais bolsas feitas de cinto.

T- É possível considerar você e seu trabalho como uma marca muito forte no mercado de arte, moda e decoração hoje. Assim como várias outras marcas, você também está à mercê de falsificadores. Como você lida com este assunto?

S – Isso acontece muito, mas se for apenas um cara que estampa a minha arte em suas camisetas em sua garagem para vender para amigos eu mando um email pedindo para ele parar por que isso não é legal. Mas pior mesmo são as grandes empresas que usam minhas pinturas para estampar seus produtos. Aí ligo para meu advogado resolver isso para mim.

Alguns artistas também copiam meu estilo e dizem que apenas me usam como referência. É complicado, mas ao mesmo tempo é um elogio.

G- Também considero um elogio, mas não quero saber se é um cara ou uma grande empresa que está usando a minha arte indevidamente. Meu advogado é quem lida com isso sempre.

T- Como você cuida da sua imagem pessoal? Que tipo de roupas você usa diariamente e em suas exposições e festas?

S- Me preocupo muito com a minha imagem, pois é assim que as pessoas e amigos me reconhecem. No dia-a-dia uso calça skinny, Converse e camisetas listradas (às vezes me retrato nos quadros e estou sempre com este tipo de roupa). Hoje estou usando camisa xadrez por que quero parecer mais arrumado para a abertura da exposição (risos). Meus óculos fazem mais parte de mim ainda. Depois que eu operei da vista e não precisei mais usar, meus amigos não me reconheciam mais e insistiram para que eu voltasse a usá-los. Decidi usar óculos escuros com lentes coloridas, pois são divertidas e posso usá-las dentro dos lugares também!

Também gosto muito de roupas vintage. Antigamente me produzia mais para as festas e freqüentava brechós em busca de ternos verde-oliva e sapatos pontudos. Alguns fãs compravam roupas desse tipo e me davam de presente!

G – Sou do tipo “workaholic” que não se procupa com a roupa que veste e nem com cosméticos. Tenho sorte de ganhar roupas de amigos, como a La Barracuda (marca de streetstyle de Los Angeles, Califórnia), Levi’s e Johnson Motors (marca de roupas estilo motoqueiro de Passadena, Califórnia).

Procuro me concentrar bastante na minha arte e tento me manter saudável para continuar trabalhando.

Gary-Baseman

Gary Baseman

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Josh Agler aka Shag

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Comentários: 4

4 Comentários para “Entrevista com Gary Baseman e Shag”

  1. Isabel disse:

    Muito bom! Bem vinda Tainá!

  2. Tainá Barrionuevo disse:

    Aeee Obrigada! Vou subir mais algumas imagens para ilustrar a entrevista depois.
    bjo a todos!

  3. baixo ribeiro disse:

    adorei a entrevista. ele é tímido e tem poucas entrevistas pelo mundo vc descobriu vários detaçlhes legais do shag.

  4. Tainá disse:

    Ele é um querido mesmo… conversamos sobre muitas coisas durante o jantar e o almoco antes de expo. Ele tem muita coisa para contar ao mundo!

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